A bandeira nacional de Angola divide-se horizontalmente numa metade superior vermelha e noutra inferior negra. O vermelho simboliza o sangue derramado pelos angolanos durante as lutas pela independência, enquanto que o negro simboliza o continente africano. O símbolo no centro é uma roda dentada e uma catana, cruzados, e uma estrela, que simbolizam os trabalhadores. A disposição destes símbolos assemelha-se, não por acaso, à disposição da foice e do martelo que se encontra na bandeira da antiga União Soviética, e é um símbolo de comunismo.

ONDE FICA LUANDA


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quarta-feira, 31 de março de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

A África Surpreende


A cada dia uma novidade.
São tantas que não consigo colocar aqui todos os dias.
No início era novidade, agora é realidade.
A realidade é sedutora.
Não é atoa que este povo é feliz, canta e dança com muito ritimo.
A África é quente. A África é contente.
No Brasil a gente aprendeu bastante com este povo.
Deveríamos aprender mais. Tem muito mais.
Está mais que na hora do mundo voltar os olhos para este continente.
Farei a parte que me cabe.
É muito fácil amar a África, vocês vão ver.

foto: Edson Lima

Dizem-me que eu devo aproveitar a minha estadia em África.
Não estou a aproveitar mas a compartilhar. A África pede que compartilhemos com ela.
Ela ficou por muito tempo esquecida e agora quer estar presente.
Tem muita coisa aqui para fazermos. A África é amiga, solidária e nos ama.
Ela quer a nossa presença, ele pede a nossa ajuda.
As pessoas aqui nos olham como nossas crianças nos olham: com amor, com respeito, querendoaprender, pedindo auxilio.
 África precisa mais de nós do que nós dela.
Ela está renascendo..... como a quebra-pedra que insiste em sobreviver nas frestas das calçadas de cimento.
A África foi massacrada... ainda é. Mas a gente vê a resistência nas mínimas coisas do dia-a-dia.
 Ela vive e está linda.
 O povo aqui tem outra qualidade, diferente das pessoas que a gente tem ai.
o povo aqui é muito mais inocente.
Por isso, eu penso, que nós brancos os exploramos com tanta facilidade.
Porque nós somos vikings.
Este povo é doce e não tem maldade.
Maldade aqui está naqueles que herdaram a nossa cólera.

 Temos que parar de intelectualizar o Candomblé e outras religiões de matizes africanas, pois ele é apenas mais uma religião que nos coloca em contato com o divino e não um celeiro de vaidades onde informações pesquisadas por antropólogos valem mais que nossa experiência do extase religoso.
Os Orixás são elementos da natureza, Eles estão em toda parte. Nós precisamos deles e Eles precisam de nós. Precisam para humanizar este planeta, precisam para que sejamos mensageiros de suas verdades que nada mais é que o respeito pela Terra (Ilu Aiye) que nos deu a vida e a mantém. Enquanto não respeitarmos a natureza, enquanto estivermos destruindo nosso lar, não seremos dignos de invocar os
Orixás a compartilhar conosco a nossa alegria de viver.
Sejamos verdadeiramente religiosos.
Lembremos da África em nossas cerimonias.
Mas lembremos da África presente, da África de hoje, que está viva, que é alegre e que quer muito a nossa presença, a nossa ajuda.
O Candomblé do Brasil tem que se voltar para a África. Não apenas para aprender os mistérios da religião mas, principalmente, para participar de sua história viva e atual.
A África nos deu régua e compasso. Temos a obrigação de devolver nosso aprendizado a ela, tal como um filho que deve ajudar a mãe.
A África, minha leitores, realmente precisa que voltemos os olhos para ela. E, nós, como herdeiros da religião que veio dela, temos que ser os primeiros a levantar esta bandeira.
Que todos os Deuses nos iluminem. Axé! Axé! Axé!




domingo, 28 de março de 2010

Programa Revista África - DJ Falcão

Almoço de Domingo

Aos poucos fomos colocando a casa em ordem, resolvemos o problema da luz e hoje fizemos um almoço caseiro com feijão, arroz e frango brasileiros. Apenas a batata era francesa, a beterraba de Western Cape e o repolho angolano. O vinho era além tejano.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Paranormalidade

Fenômenos estranhos vem acontecendo desde que retornei a Luanda.
Primeiramente encontrei a casa sem energia elétrica, com os ar-condicionados queimados e várias lâmpadas queimadas.
No trabalho as tomadas elétricas estavam em curto. Sem ter conhecimento disto, liguei meu laptop numa das tomadas e veio um estrondo. Por pouco não queimei a minha a fonte de energia. Vários computadores queimaram.
Voltei para casa mais cêdo enquanto os eletricistas resolviam o problema e encontrei todas as portas e janelas pulverizadas com um pô branco, como se fosse talco molhado.
Regressei ao trabalho no final da tarde para conferir o serviço dos eletricistas e instalar os novos Hds que trouxe para instalar nos computadores. Um dos HDs estava queimado ou queimo-se ao instalar, não sei. Perdi um HD.
Quando fui ligar o no-break a tomada, já depois dos eletricistas dizerem que tinham resolvido o problema, tomei um choque que me fez estremecer.
A noite, após o jantar de aniversário de  meu colega de trabalho, nosso carro não deu arranque. Problema na bateria.
Pedi ajuda a uma caminhoneta que passava. Lucas, o motorista, foi muito solícito a nos ajudar. Tentou de fazer o carro pegar limpando os polos da bateria. Não funcionou. Ele, então, convidou-me para acompanhá-lo até a sua casa para apanharmos ferramentas. Me surpreendi com a imensidão da casa e com a quantidade de carros na garagem, todos da família, ele me contou.
Voltamos para onde estava o meu carro quebrado e Lucas, incansável, tentou de todos os artifícios até que decidiu substituir as baterias. O carro funcionou.
Ao chegar em casa, nova surpresa. Mesmo tendo girado as duas voltas da chave a porta não se abriu porque o trinco estava fechado por dentro. Mais ainda, havia uma cadeira, pelo lado de dentro, a segurar a porta. Tentamos de todas a maneiras abrir a porta e o único jeito foi quebrar o vidro para abrir o trinco com as mãos e empurrar a cadeira.
Nossa empregada doméstica não teria conseguido colocar a cadeira ali, tão perto da porta e, ainda, fechar o trinco interno.
Como aquela cadeira foi parar ali?
Não encontramos explicação.
Todos aguardamos ansiosos o dia amanhecer para perguntar a Maria como aquela cadeira foi parar ali.

DIA SEGUINTE

Esperamos Maria até as 11 horas. Ela sempre chega antes das 8.
Saimos para o trabalho.
A novidade foi que quando voltamos a casa estava arrumada e todas as luzes acesas.
Amanhã, nova esperança de ouvir Maria.

INACREDITÁVEL

Maria Carlos apareceu! Ela disse que não colocou cadeira em lugar nenhum.
Parece brincadeira. E vai ver é mesmo.
Ontem a noite eu cheguei em casa e encontrei tudo escuro. Não havia energia elétrica. O gerador funcionou e, mesmo assim, não tinha energia elétrica em casa. Dá pra acreditar?
Sem energia elétrica não dá nem pra tomar banho, não porque eu tomo banho quente neste calor (estava a fazer 31 graus a meia noite!), mas porque sem energia elétrica a bomba d'água não funciona.
Resultado: fiquei sem luz, sem internet, sem água, sem ar-condicionado, sem banho..... afff! Não foi só o calor e o corpo suado de um dia inteiro de trabalho que me dificultou dormir, foram os pernilongos. Eu tive que deixar as janelas e a porta aberta para refrescar um pouco e os bichinhos não perderam tempo para me picar. No calor de 31 graus eu tiver que cobrir o corpo com lençol.
Hoje a tarde foi um novo eletricista resolver o problema da casa.
Daqui a pouco eu chego lá. Vamos ver qual vai ser a novidade desta vez.

ENQUANTO HÁ TEMPO

Chegamos em casa ontem a noite e encontramos tudo escuro.
Para ligar o gerador precisamos abastecê-lo. Havia um galão de 200 litros a nossa espera. Ao levantarmos o galão meu colega teve o dedo médio da mão direita esmagado. Corremos a fazer o curativo. Com um pequeno meu outro colega abasteceu o gerador e o fizemos funcionar. Segundos depois o interfone de casa pega fogo. Tudo se apagou.
Mais uma noite sem energia e, portanto, sem água e com os pernilongos a nos acompanhar no calor de mais de 30 graus. Duas noites sem banho neste calor não é brincadeira.
Hoje de manhã saimos a procura de um outro eletricista. As 16 horas ele estava em casa e acusou um dijuntor como o causador do problema. Fomos comprar um novo dijuntor: 120.000 kwanzas!!!!
Trocado o dijuntor, nosso profissional deu por terminado o seu serviço, embolsou USD 100, e foi-se.
Dez minutos depois... todas a luzes e tomadas (que aqui chamamos ficheiro) apagadas.
Voltei a ligar para o eletricista que disse que hoje não poderia retornar porque é dia-do-homem.
(Sim, aqui toda sexta-feira é Dia-do-Homem: dia do homem beber, se ver livre da esposa, sair com os amigos, enfim, fazer o que quiser, inclusive não trabalhar).
Eu mesmo resolvi ser o eletricista e troquei os dijuntores que pararam de funcionar. E aqui estou contanto esta história antes que a energia elétrica entre em pane novamente. Por isso, não se assustem se eu não escrevo diariamente, acontece que nem sempre eu disponho de recursos.
Anotem meu telefone em caso de necessidade: (244) 935-769569
Obrigado!

domingo, 21 de março de 2010

De São Paulo de Piratininga para São Paulo de Luanda

Cheguei hoje as 5 da manhã do horário de Luanda.
No horário do Brasil eram ainda 1 da manhã.
Mal dormi no võo.
Em casa encontrei tudo em desordem. Falta de energia, de água..... e uns sinais misteriosos nas portas e janelas que mais parecem coisas de kimbandeiros. Será?
Quem poderia querer algo contra ou a nosso favor?
Amanhã de manhã Maria Carlos poderá ajudar a desvendar este mistério.

Angola é fixe. Estou a gostar de Luanda.

(estou colocando a conversa em dia com meus kambas de Ngoma, mais tarde escrevo mais)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Meu Querido Amigo Glauco

Assassinaram meu querido amigo Glauco.
(foi um assalto em sua residência)

Conheci o Glauco muito antes de ele encontrar o seu sacerdócio no Santo Daime.
Nos encontramos em uma situação insólita que não interessa contar aqui.
Ficamos amigos e confidentes. Ele com o seu sacerdócio e eu com o meu.
Ele me apresentou o Daime, o Mestre Irineu e muitas revelações.
Glauco tornou-se para mim a referência de uma pessoa de bom caráter.
Ele é (sim, no presente, porque seu corpo se foi mas ele continuará comigo para sempre) um humanista que iluminou o meu caminho e o de muita gente.
Em muito pouco tempo ele realizou a sua jornada na terra com sucesso.

Meu amigo Glauco é  líder da igreja Céu de Maria
e animava a celebração com sua sanfona encantada.

 Glauco é um vencedor!

Ele veio para São Paulo do interior do Paraná, começou a publicar suas tirinhas no "Diário da Manhã", de Ribeirão Preto, no começo dos anos 70.
Em 1976, foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, no ano seguinte, começou a publicar seus trabalhos na Folha de maneira esporádica. A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras regularmente no jornal.
Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre outros.

Em 2006, ele lançou o livro "Política Zero", reunião de 64 charges políticas sobre o Governo Lula publicadas na página 2 da Folha.

Glauco não deixou este planeta sozinho, seu filho, Raoni, de 25 anos, foi com ele.

Wa ati bo, ore mi, wa ati bo!!! Asé! Asé! Asé!
Vá e volte logo, meu amigo, vá e volte logo!!!  Realizemos! Realizemos! Realizemos!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Entre Amigos na Mercearia

Duas coisas me fazem muito feliz 
nesta minha jornada em África:
 os amigos no meu botafora na Mercearia 
e os amigos no meu retorno na Mercearia.
De tudo o que eu fiz, de todas as experiências que vivi,
das belezas que contemplei,
nada compara-se às amizades que tenho.
Amo muito todos vocês, meus amigos.
Vocês são o verdadeiro sentido de minha existência, nada mais.
Sinto-me virtuoso.
Nós somos o milagre da vida.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Kuba ki kutexi ê, kuenda ki kujimbirilê

Do kimbundo: Dar não é desperdiçar, andar não é perder-se.

Aprendi este ditado depois de minha aventura na Ilha do Mussulo.

Eu tenho trabalhado muito e não tenho encontrado tempo para escreve no blog.

Preciso desperdiçar mais e perder-me menos!

Estou na correria para estar em São Paulo semana que vem.


Dia 10 vou contar histórias ao vivo na Mercearia São Pedro!

Apareça!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Kamba Dia Muxima

(Preciso de um tempo para sentar e escrever com calma a minha aventura deste domingo. Aguarde!)

Kuba ki kutexi ê, kuenda ki kujimbirilê 

kimb. Dar não é desperdiçar, andar não é perder-se

Kuduro, Angola

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Nossas Bandeiras

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Comentários que chegam por e-mail

Realce Edu!
Fico feliz em saber que vc está em Luanda.
Deve ser mesmo muito fixe. E os angolanos são com certeza muito giros.
Estou lendo o teu blog.
Miúdos nao são só bebes são caras de uma forma geral.
Eu tenho muitos amigos portugueses aqui em Estocolmo...
Se vc puder dê um pulo no velho continente antes de voltar para o Brasil.
Venha nos visitar na Suécia!
Adoraríamos ter vc por perto.
Beijinhos
J.
PS: Leia o Ondjaki, é um escritor angolano que vale a pena.


Oi Edu,
Muito legal mesmo o seu Blog, BARBARO !!!!!!
Vou estar em contato, vou aprender a participar, deixar comentários, etc..,
FOI O MAIOR PRAZER VISITAR O SEU BLOG E SABER DAS COISAS DAÍ,
Abraços,
G.


Muito legal seu blog!
Espero de coração que dê tudo certo prá você aí.
Grande abraço
E. (Mercearia)


Oi Eduardo,
Aqui no Brasil deram muito destaque ao ataque que a seleção de Togo sofreu na fronteira de Angola com o Congo. Vi nas reportagens que o local é ao norte, e achei muito legal vc colocar a posição de Luanda no mapa, percebemos que é no nível de Recife, mais ou menos.
Pelo jeito Angola é um barato, hein ?
Muito legal e um lugar de gente bonita !

Abraços, G.



Boas Tardes ó pá,

Gostei de falar consigo ontem deste jeito vamos ficar mais em contato do que se estivéssemos no Brasil.
O Blog tá bacana, para meu gosto (que cara chato este Alberto né) esta meio “chapa branca” você mal chegou e esta mais angolano que os angolanos... tem “viva angola” demais, aí fica difícil saber como é a fascinação ta meio ufanista.
Abs. e muito Axé

A.

Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro acorda"

J.


Querido,espero que você esteja gostando da sua experiencia Africana.
Até quando você planeja ficar por ai?
Vou dar um jeito de te visitar e quem sabe fazer uma viajem juntos por ai...
Vai me dando noticias do seu tempo disponivel para a gente planejar.
Ja estou cheia de saudades!
Fiquei triste de não ter despedido pessoalmente.
Muitos beijos.

C.